Em assembleia comunitária da UFPR, que aconteceu hoje, dia 11, pela manhã no Teatro da Reitoria, técnicos, professores e estudantes aprovaram um documento com a pauta unificada das três categorias. Após o fim da assembleia, o documento foi levado em ato ao Reitor Zaki Akel Sobrinho.
Quase mil pessoas participaram da assembleia. Lindo de se ver.
Confira o texto do documento entregue ao reitor:
Ao Magnífico Reitor Zaki Akel Sobrinho,
Em Assembleia Geral da Comunidade Universitária da UFPR, convocada pelo DCE-UFPR, APUFPR e SINDITEST, realizada no dia 11 de Agosto de 2011, no Teatro da Reitoria desta universidade, reuniram-se aproximadamente 600 estudantes, professores e técnico-administrativos, para discutir e construir uma pauta unificada da Comunidade Universitária.
Debateram-se os problemas relativos às condições de trabalho dos professores e técnico-administrativos e também a formação dos estudantes, no que se refere ao ensino, pesquisa e extensão. Durante os debates, as categorias ressaltaram a importância de unificar nossas pautas e salientaram a situação crítica que enfrenta a universidade pública atualmente. Diante disso, formulamos este documento com a pauta unificada aprovada na Assembléia, conforme segue abaixo:
Pauta Unificada Local:
- Construção de mais salas de aula em todos os setores;
- Ampliação do espaço físico e do horário de atendimento das bibliotecas;
- Ampliação e atualização permanente dos acervos bibliográficos;
- Acessibilidade para pessoas com deficiência;
- Laboratórios de informática com acesso livre para os estudantes em horário integral;
- Extensão dos direitos de creche a todos os docentes, estudantes e técnico-administrativos da UFPR, seguindo modelo já existente no Hospital de Clínicas;
- Aumento do número de bolsas de pesquisa, ensino, extensão e permanência;
- Fiscalização do caráter formativo das bolsas permanência. Contra a utilização de tal modalidade de bolsa para suprir a ausência de técnicos administrativos;
- Pela contratação imediata de mais servidores técnico-administrativos, por meio de Concurso Público de Regime Jurídico Único, inclusive com formação profissional de acordo com a necessidade dos cursos; reposição do quadro do HC;
- Pela contratação imediata de mais professores pelo regime jurídico único, preferencialmente em regime de dedicação exclusiva, que supram a demanda de todos os cursos. Contra a contratação dos professores substitutos para suprir escassez regular e permanente de docentes;
- Abertura das bibliotecas aos sábados o dia todo;
- Contra as terceirizações na universidade. Pela incorporação dos trabalhadores através de concurso público;
- Contra a substituição dos servidores técnico-administrativos por trabalho terceirizado, pois tal atitude deslegitima a greve;
- Contra a precarização dos trabalhadores da universidade e contra a intensificação do trabalho dos servidores docentes e técnico-administrativos;
- Pela garantia das aulas de Libras em todas as licenciaturas;
- Pela abertura 135 leitos fechados do HC/UFPR;
- Implantação de conselhos paritários e deliberativos para debater e definir as políticas de comunicação da UFPR, incluindo as ações da Assessoria de Comunicação Social e a programação da TV da universidade;
- Criação de um fórum para discutir os programas de pós graduação no que se refere à transparência dos critérios de credenciamento e recredenciamento de docentes, na utilização dos recursos; situações do adoecimento ocasionada por assédio e outros fatores; que a carga horária dos docentes que participam em programas de outros departamentos ou setores seja computada na carga horária departamental do referido docente;
- Regularização dos ambientes da UFPR de acordo com os laudos já realizados, que comprovam a insalubridade e avaliação nos demais ambientes ainda não avaliados;
- Manutenção da comissão de saúde do trabalhador composta pela APUFPR, SINDITEST e PROGEPE, dando sequência aos encaminhamentos sugeridos nesta;
- Criação de um programa institucional de preparação para aposentadoria;
- Melhoria das condições que garantem a qualidade do ensino, pesquisa e extensão em todos os setores e particularmente naqueles que aderiram aos programas e projetos de expansão e ou ampliação de vagas na Universidade (REUNI, EXPANDIR E OUTROS):
- estabelecimentos de número máximo de alunos por turma, respeitando a diversidade das situações curriculares;
- utilização dos docentes substitutos somente em casos emergenciais minimizando os contratos precários e temporários na instituição;
- garantia de mínima estrutura necessária para a realização das atividades de ensino, pesquisa e extensão, sem a qual não devem ser abertos novos cursos e ou vagas (especificar: salas, biblioteca, laboratório);
- Realização imediata das avaliações de estágio probatório no Setor do Litoral, para que se garanta aos docentes e técnico-administrativos que lá trabalham o direito à estabilidade funcional;
- Escolha dos dirigentes pela comunidade universitária em eleições diretas, no mínimo paritárias; paridade nos Conselhos Superiores e instâncias colegiadas da universidade;
- Pela negociação imediata das reivindicações dos movimentos dos técnicos, professores e estudantes;
Pauta Unificada Nacional
- Pelo investimento do Orçamento da União proporcional aos 10% do PIB para a Educação Pública JÁ!;
- Pela reformulação do Plano Nacional de Educação, construída pelos estudantes e pelos movimentos sociais da educação;
- Contra o PL 1749/11, que privatiza a saúde e a educação, fere a autonomia Universitária, precariza o SUS e os HUs e restringe o acesso dos estudantes da UFPR no HC;
- Contra a iniciativa privada dentro da Universidade;
- Garantia de que o caráter público da universidade, sua autonomia constitucional e a função social da atividade docente sejam os elementos definidores das políticas de financiamento e do regramento das relações de trabalho;
- Garantia de financiamento público estável e suficiente para as IFES, assegurando incrementos compatíveis para a expansão com qualidade, tal como apresentado no PNE da Sociedade Brasileira;
- Pela manutenção da unidade entre os cursos de bacharelado e licenciatura;
- Garantia das condições adequadas para o trabalho docente, fundamentado na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão;
- Garantia de aposentadoria integral, assegurando paridade entre ativos e aposentados;
- Garantia de condições para as IFES cumprirem sua responsabilidade com a educação pública, gratuita, democrática, laica e de qualidade para todos;
- Garantia de estatuto jurídico público para as IFES, com a adoção de medidas contra a mercantilização e privatização;
- Garantia de um sistema de avaliação institucional das IFES de caráter autônomo e democrático;
- Cumprimento do preceito constitucional de destinação de recursos ao ensino público, nunca inferior a 18% da arrecadação líquida de impostos, destinando, no mínimo 75% às IFES;
- Rejeição da MP 525/2011, que altera os critérios para contratação de professores substitutos nas IFES;
- Retirada do PLP n° 92/07, que autoriza o poder público a instituir as chamadas Fundações Estatais de Direito Privado;
- Autonomia de nomeação pelas IFES de seus procuradores jurídicos, com garantia de atuação igualmente autônoma, sem subordinação administrativa à AGU;
- Prioridade do financiamento da educação pública em relação ao pagamento da dívida pública;
- Fixação de recursos, nos orçamentos das IFES, para o desenvolvimento das atividades de pesquisa e extensão, com a definição democrática desses valores;
- Revogação da cobrança de taxas, a qualquer título, nas IFES;
- Condições adequadas de funcionamento dos novos cursos, especialmente nos campi descentralizados, para que a comunidade acadêmica possa desenvolver, com qualidade, seu trabalho, que, em relação aos docentes, implica no respeito ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão;
- Ampliação da infraestrutura necessária à pesquisa nas IFES, incluindo laboratórios, equipamentos, logística, pessoal e setores administrativos da própria instituição com capacidade de gerenciamento eficiente de projetos e convênios;
- Eliminação do padrão do produtivismo cientifico que, além de reforçar uma competição individualista, tem contribuído para a redução na qualidade da produção acadêmica;
- Reversão da crescente criminalização do direito de divergir, bem como combate à perseguição àqueles que lutam em defesa da universidade pública;
- Combate ao assédio moral, causa crescente de doenças físicas e psíquicas dos docentes, denunciando-o ao Ministério Público e às Superintendências do Trabalho;
Por fim, solicitamos a realização de uma audiência pública para resposta da Reitoria a esta carta de reivindicações da Assembléia Comunitária da UFPR.
Curitiba, 11 de Agosto de 2011





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Add CommentParabéns, DCE. Estamos tentando uma assembléia unificada aqui na UFJF também. Vou levar a pauta que vocês construíram para servir de exemplo na reunião com as três categorias hoje.
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