
Nesta quinta-feira (11), mais de 200 professores estiveram presentes na Assembleia Geral da APUFPR-SSind que indicou a data de 16 de agosto, próxima terça-feira, para a realização de uma Assembleia cuja pauta contenha explicitamente a deflagração da greve. Os docentes também rejeitaram a proposta apresentada pelo governo federal na última mesa de negociação.
Rodada de negociação
Durante a rodada de negociação que ocorreu entre o Andes-SN e o governo federal no dia 09 de agosto, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) apresentou uma proposta que, apesar de abranger dois pontos da pauta de reivindicações dos docentes, não implica em reajuste salarial algum para a grande maioria dos docentes.
O primeiro ponto é a incorporação da Gratificação Específica do Magistério Superior (Gemas) ao Vencimento Básico (VB) e o segundo a disposição de tratar a correção das distorções no enquadramento dos docentes, que possam ter ocorrido na criação da classe do professor associado. Porém, essa resposta foi considerada muito aquém do que a categoria docente reivindica e espera após tantos meses de negociação.
Até o dia 16 de agosto ainda haverá uma reunião do Setor das Instituições Federais de Ensino Superior do Andes-SN a fim de avaliar os encaminhamentos das assembleias locais realizadas pelas demais seções sindicais filiadas ao Sindicato Nacional.
No dia 15 de agosto, o Andes-SN fará mais uma rodada de negociação com o governo federal, entretanto, o movimento docente avalia, com base nas declarações dos representantes do governo, que dificilmente haverá avanço na proposta apresentada pelo MPOG.
Pauta local
Inúmeros professores de diversos campi da UFPR contribuíram para a construção da pauta local dos docentes. Os problemas de vários cursos da Universidade foram levantados e foi possível perceber que a falta de estrutura e a precarização do trabalho docente são decorrentes da ausência de investimento público nas universidades e também pela implementação dos programas de expansão universitária mal planejados. "Os docentes cumpriram sua parte nos acordos de expansão, mas o governo não implementou a contrapartida em recursos humanos e infraestrutura", declara o presidente da APUFPR, Luis Allan Künzle.
O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) foi apontado como um dos principais responsáveis pelo sucateamento das universidades federais.
Segundo a professora Mônica Cardoso, docente do curso de Terapia Ocupacional, o número de contratações de professores não acompanhou a expansão do número de vagas de alunos, o que acarretou um excesso da carga de trabalho para os docentes. "Tínhamos 150 alunos, fomos para 600. Tínhamos 12 professores, fomos para 23. Ganhamos um prédio que falta ainda muita coisa para que ele funcione direito. Também não temos função gratificada na coordenação do departamento. Isso para nós, enquanto professores, certamente é uma tarefa adoecedora e perversa".
Praticamente todos os campi têm sofrido intensamente as consequências do Reuni, como é o caso do campus Palotina, onde o número de alunos passará de 300 para dois mil enquanto que o de docentes foi de 20 para cerca de 80. Esses elementos acarretam na sobrecarga do trabalho docente e fazem com que professores tenham que permanecer mais de 20h em sala de aula, aumentando, dessa forma, a jornada de trabalho e contribuindo para a sobrecarga de atividades da categoria.
Entre a pauta local formulada pelos professores durante a Assembleia está presente a reivindicação da garantia de estabilidade aos docentes do Setor Litoral que mesmo após cinco anos na Universidade ainda não passaram por nenhum tipo de avaliação do estágio probatório.
"A pauta local vincula as questões nacionais com os assuntos relacionados a UFPR. O importante dessa pauta é demonstrar que vários problemas e anseios que os professores têm vivido podem e devem ser resolvidos pela administração da Universidade", declara o secretário geral da APUFPR-SSind, Rogério Gomes.
Apufpr-SSind





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