domingo, 28 de agosto de 2011

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Nota do Comando de Greve


Na última sexta-feira, dia 26 de agosto, aconteceu o Ato Unificado da UFPR, que reuniu mais de 500 professores, estudantes e servidores da universidade. Saímos pelo centro de Curitiba em manifestação como forma de mostrar a situação crítica em que se encontra nossa universidade para a população curitibana e para pressionar o Reitor Zaki Akel Sobrinho, que está tratando os estudantes com total descaso, não tendo começado nenhum tipo de negociação conosco.

Finalizamos o ato na Reitoria, quando pressionamos novamente o reitor para que houvesse negociação e resolução das pautas das três categorias. Pra variar, o reitor nos enrolou. Não nos deu nenhuma resposta concreta, e era clara sua contrariedade a greve - o que ficou mais claro com os últimos ataques, como a abertura do Portal do Aluno por tercerizados e a retomada do calendário acadêmico. Por esse motivo, os estudantes presentes disseram que só sairiam da Reitoria depois de uma negociação, em que o cumprimento das nossas reivindicações estejam em papel e assinados pelo Zaki.


Por isso, desde cedo, estudantes da UFPR estão ocupando a reitoria da Universidade Federal do Paraná. Foi a indiferença da administração da UFPR com a luta dos estudantes em particular que resultou na decisão. A ocupação foi decidida em assembleia de estudantes, um momento em que percebemos a necessidade de radicalizar o movimento - visto que usamos de todos os demais meios para que ocorresse qualquer tipo de negociação. Esse ocupação é resultado de uma série de ataques da reitoria às categorias que se encontram paralisadas.

A greve estudantil continua. A ocupação é apenas uma das atividades que compõem o nosso movimento; é mais uma das medidas que visam agilizar o atendimento às nossas reivindicações, que vêm sendo sistematicamente ignoradas por nosso reitor. Entendemos que voltar às aulas neste momento de paralisação das três categorias que integram a UFPR é ser conivente com uma educação falha e desqualificada. Os servidores e os professores continuam de braços cruzados e a retomada do calendário é uma afronta ao movimento desses trabalhadores.

A reitoria alega que o calendário deve estar vigente para que a greve seja oficializada, que até agora estávamos em férias. Nós não estávamos em férias, nós estávamos em luta. Essa decisão não condiz com o que têm vivido os estudantes que se reuniram diariamente nas últimas três semanas para debater nossa educação, não condiz com as ações de quem trabalhou incansavelmente para a coleta das pautas locais de cada curso dessa universidade. O calendário só foi adiado por diversas vezes por causa de nossas paralisações. É claro que a decisão da Reitoria de retomar o calendário é um artifício de desmobilização, ao qual vamos resistir incansavelmente.

Convidamos todos os estudantes da UFPR a compor esse movimento. O comando de greve continuará organizando eventos durante as semanas para que a greve proporcione espaços de interação e debate sobre a universidade que queremos. Não queremos aula sem professores e técnicos. Não queremos aula sem RU e biblioteca. Não desejamos continuar com as bolsas insuficientes e miseráveis que nos são destinadas. Não admitimos a continuidade dessa expansão desmedida da universidade, que precariza permanentemente o nosso ensino. Não é justo ignorar a categoria dos técnico-administrativos e contratar serviços terceirizados para suprir a falta deles. Para isso, a reitoria mostrou que tem dinheiro.

Se há dinheiro para contratar empresas, deve haver, também, para negociar com os grevistas. O mesmo acontece com o governo federal. Da copa, nós abrimos mão. Queremos 10% do PIB para a educação e muitas outras melhorias. Diversas reitorias estão sendo ocupadas pelos estudantes Brasil afora, mostrando que a nacionalização de um movimento em prol da educação está nascendo - UFPR, UNIFES, UFMT, UFES, UFPEL, UFT, IFBA, UFF, UFSC, UEM - Venha você, estudante da UFPR, fazer parte da história da nossa universidade. CHEGA DE MIGALHAS!

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  1. cris ♀ disse... 30 de agosto de 2011 às 09:46

    "Não admitimos a continuidade dessa expansão desmedida da universidade, que precariza permanentemente o nosso ensino."
    Convenhamos, há de se tomar cuidado com esse tipo de comentário. A questão não é a "expansão desmedida da universidade", pois ela não precariza o ensino em si. A questão é que a expansão deve ser feita "desmedidamente" mesmo, mas com qualidade, estrutura física e corpo docente suficientes etc.
    Colocado dessa maneira, mais me parece um elitismo conservador...

  2. Técnico - UFPR disse... 30 de agosto de 2011 às 19:52

    Técnico - UFPR 30 de agosto de 2011 19:46
    Eu queria saber que com base em que são pautados alguns pedidos absurdos feito pelos estudantes.

    Por exemple, vocês pedem a biblioteca aberta das 6 e 30 da manha até as 23 e 30 são 17 horas de trabalho ininterruptas, que serão feitas por quem?

    E outra que alunos vão usar bibliotecas nesses horários, porque eu trabalho em uma delas e sei que da pra contar nos dedos os alunos que vão até as bibliotecas antes de 8 da manha e depois de 8 da noite...

    Acho sim que os estudantes tem que buscar melhores condições, mais antes de pedir livros pelo critério da UNESCO, vamos estudar e verificar qual o critério de pontuação aceito nas avaliações de CURSO, que não é o da UNESCO, e outra vamos primeiro verificar se as bibliotecas já não estão fazendo estudos sobre quantidade de livros, para melhorar o acervo...

    Como já disse antes de pedir uma coisa vamos ter conhecimento de causa pra depois sair a luta...

    Enquanto os alunos e outras categorias estão em greve, eu afirmo que no sistema de bibliotecas várias não fecharam nenhum dia (algumas foram sim fechadas, porque não havia viabilidade técnica de abertura), mais grande parte delas ficou aberta, então honestamente acho muito injusto vocês prejudicarem nossa categoria, pensando somente em vocês.

    Quem vai garantir transporte depois das 23 e 30 para os técnicos? Quem vai garantir a segurança dos técnicos que vão sair esse horário, uma vez que alguns moram na região metropolitana e não utilizamos transporte oficial do governo.

    Espero que assim como vocês estão lutando, e defendendo a pauta de vocês como justa, sejam responsáveis e coerentes ao responder meus questionamentos.

    Um abraço a todos.

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